Vestindo a história: a entrevista completa com Criss Rosu
Este post bônus traz a conversa completa e sem cortes com Criss Rosu, a ilustradora e designer por trás da capa de Loveandpizza.it. Ele acompanha o Dia 30 da série Loveandpizza.it, para quem quiser ler todas as perguntas, todas as respostas e todos os detalhes dos bastidores. 🎨🍕 Esta entrevista foi realizada em 2026 e está publicada aqui na íntegra, exatamente como a nossa conversa aconteceu.

1. Como você descreveria o que cria e o que mais ama no seu trabalho como ilustradora e designer?
Costumo dizer que ajudo a dar vida às ideias e aos sonhos das pessoas através da ilustração e do design.
A maioria das pessoas me conhece pelas capas de livros e pelas ilustrações para livros infantis, mas também crio identidades visuais, sites e ilustrações personalizadas para negócios criativos. Apesar de serem projetos diferentes, todos têm uma coisa em comum: contam uma história.
O que mais amo é que cada projeto começa com uma ideia. Às vezes são apenas algumas anotações de um autor ou de um empreendedor e, juntos, vamos transformando aquela ideia em algo que as pessoas conseguem realmente ver e com o qual podem criar uma conexão.
Com os livros, acho que isso é ainda mais especial. Os escritores passam meses, às vezes anos, criando um mundo inteiro com palavras. Depois chega a minha vez de criar a primeira impressão visual daquele mundo. Antes de os leitores se apaixonarem pela história, eles se apaixonam pela capa. É uma responsabilidade enorme, mas também é justamente isso que mais amo.
Existe uma frase que diz que “uma imagem vale mais que mil palavras”, e eu realmente acredito nisso. Adoro criar ilustrações que façam alguém parar, olhar de novo e ficar curioso o suficiente para pegar o livro. Para mim, é aí que uma capa cumpriu o seu papel.
2. Quando você percebeu que queria transformar o storytelling visual em profissão?
Eu amo desenhar desde que consigo me lembrar.
Uma das minhas lembranças favoritas da infância são as aulas de arte com a minha professora. Ela me ensinava a desenhar rostos e o corpo humano, e lembro de achar aquilo fascinante. Eu sempre fui aquela criança que adorava desenhar, colorir e criar coisas.
Quando era mais nova, na verdade, eu sonhava em ser estilista. Adorava ilustração de moda, roupas bonitas e detalhes elegantes. A vida acabou me levando para outra direção, mas, olhando para trás, acho que acabei virando designer mesmo assim, só de uma maneira diferente.
Antes de começar a trabalhar profissionalmente como ilustradora, passei mais de dez anos no setor de casamentos. Criava convites, papelaria, arranjos florais e decoração. Era um ambiente extremamente criativo e, mesmo sem perceber na época, eu estava aprendendo muito sobre cor, composição, tipografia e sobre como pequenos detalhes podem mudar completamente a sensação transmitida por um projeto.
Há cerca de seis anos, decidi me dedicar de forma muito mais séria à ilustração digital. Quanto mais eu criava, mais percebia que contar histórias através de imagens era o que eu realmente amava fazer.
Nunca senti exatamente como se estivesse mudando de carreira. Era mais como se tudo o que eu tinha feito antes estivesse me preparando para isso.
3. Por onde você costuma começar quando cria uma capa?
Tudo começa pela história.
Normalmente leio o briefing várias vezes, porque não estou procurando apenas detalhes visuais. Tento entender a sensação por trás da história. É romântica? Divertida? Emocionante? Quero entender o que os leitores devem sentir antes mesmo de começar a pensar nas cores ou na composição.
Quando possível, também gosto de ler um trecho do livro. Isso me ajuda a entender a escrita do autor e a personalidade dos personagens. Acho extremamente útil, porque cada autor tem uma voz diferente.
Quando sinto que compreendi a história, começo a pensar na composição, no cenário e nos personagens.
Faço todos os meus esboços no iPad. Adoro trabalhar digitalmente porque consigo experimentar rapidamente ideias, cores e composições diferentes antes de decidir qual direção parece certa.
Nunca quero que uma capa seja bonita apenas por ser bonita. Quero que ela conte alguma coisa sobre a história antes mesmo de o leitor abrir o livro.
4. Como a sua experiência com branding, web design e fotografia influencia o seu trabalho como ilustradora?
Na verdade, acho que influencia o meu trabalho todos os dias.
Como também trabalho com branding, web design e fotografia, naturalmente penso em muito mais do que apenas na ilustração.
Sempre digo que a capa é a marca de um livro.
Quando alguém vê uma capa pela primeira vez, aquela é a primeira impressão. Antes mesmo de conhecer os personagens ou a história, a pessoa já sentiu alguma coisa em relação ao livro.
Por isso, enquanto ilustro, também penso em tipografia, legibilidade, psicologia das cores, composição e na forma como todos esses elementos funcionam juntos.
Penso em como a capa vai ficar numa prateleira de livraria, mas também em como vai aparecer como uma miniatura minúscula na Amazon ou no Goodreads.
Acho que ter experiência em diferentes áreas criativas me ajuda a enxergar o todo. A ilustração é extremamente importante, mas a tipografia e o layout também são, porque juntos contam uma história completa.
5. Qual foi a sua primeira impressão quando Daniela enviou o briefing de Loveandpizza.it?
Sinceramente, acho que foi a Itália.
Eu amo a Itália, então, no momento em que comecei a ler o briefing da Daniela, senti uma conexão imediata com o projeto.
Meu marido e eu passamos a lua de mel na Itália, então ler sobre Napoli imediatamente me fez lembrar das ruazinhas lindas, da comida maravilhosa, do sol, das flores e daquela atmosfera descontraída que a Itália tem.
Eu já conseguia imaginar Carolina andando por ruas coloridas, entre pizzarias, barcos, flores e todos aqueles pequenos detalhes que fazem Napoli parecer tão viva.
Acho que essa ligação pessoal tornou o projeto ainda mais especial para mim, porque eu não estava imaginando um lugar onde nunca tinha estado. Eu lembrava como era realmente estar ali.
Desde o começo, sabia que queria que a capa transmitisse acolhimento, fantasia e romance.
Queria que os leitores olhassem para ela e sentissem que já tinham entrado na Itália antes mesmo de abrir a primeira página.

(Imagem de Criss Rosu)
6. Antes de começar a fazer os esboços, qual era a coisa mais importante que você precisava entender?
Sem dúvida, a visão da Daniela. Cada autor imagina a própria história de uma maneira um pouco diferente, e acho que compreender isso é uma das partes mais importantes do meu trabalho.
Não quero substituir a imaginação do autor. Quero entendê-la primeiro.
Por isso sempre faço perguntas. Às vezes são sobre os personagens, outras vezes sobre a atmosfera ou até sobre pequenos detalhes que, a princípio, podem nem parecer importantes.
Gosto quando os autores me enviam painéis no Pinterest, fotografias de referência ou pequenas anotações, porque isso me ajuda a entender como eles enxergam a história na própria cabeça.
A partir daí, o meu trabalho é traduzir essas ideias em uma ilustração, ao mesmo tempo em que levo a minha própria criatividade e experiência para o projeto.
Para mim, as melhores capas sempre surgem quando existe uma colaboração de verdade. O autor traz a história. Eu trago as imagens. E juntos criamos algo que, com sorte, fica ainda mais forte do que qualquer um dos dois teria imaginado sozinho.
7. Que emoções você esperava que os leitores sentissem ao ver a capa pela primeira vez?
A primeira sensação que eu queria despertar era curiosidade.
Queria que alguém olhasse para a capa e imediatamente se perguntasse: “Sobre o que é essa história?” Esse é sempre o meu objetivo com uma capa.
Claro que eu queria que ela fosse bonita, mas beleza sozinha não basta. Uma capa precisa fazer você sentir alguma coisa.
Com Loveandpizza.it, queria que os leitores sentissem acolhimento, alegria e um toque de romance. Queria que imaginassem o sol, as ruas coloridas, as flores, a comida deliciosa e aquela sensação de escapar por um tempinho para um lugar lindo.
Também queria que a capa tivesse uma sensação leve e positiva. Às vezes, uma única ilustração já consegue dar uma ideia da atmosfera antes mesmo de você ler uma frase, e eu esperava que esta capa fizesse exatamente isso.
Se alguém olhar para ela e imediatamente quiser passar uma tarde em Napoli com Carolina, então sei que fiz o meu trabalho.
8. Napoli parece quase outro personagem da história. Como você encontrou o equilíbrio entre a cidade e Carolina sem deixar que uma roubasse a atenção da outra?
Na verdade, adorei esse desafio, porque acho que os lugares conseguem contar histórias tanto quanto as pessoas.
Napoli é incrivelmente vibrante. É cheia de cores, história, pequenos cafés, flores, arquitetura e detalhes lindos. Tem tanta personalidade que poderia facilmente virar o centro das atenções.
Mas, no fim das contas, Carolina é o coração da história.
Então, apesar de eu querer que os leitores reconhecessem imediatamente a atmosfera italiana, também queria que o olhar fosse naturalmente primeiro para ela.
Por isso tentei usar a cidade como um cenário bonito, em vez de transformá-la no foco principal. Napoli sustenta a história. Ela envolve Carolina e ajuda a criar a atmosfera, mas é com Carolina que os leitores se conectam primeiro.
Acho que é isso que uma boa ilustração deve fazer. Cada elemento precisa ter uma função, mas nada deve competir pela atenção. Tudo precisa trabalhar junto para contar uma única história.

(Imagem de Criss Rosu)
9. Daniela compartilhou várias fotografias de referência durante o projeto. Qual é a importância dessas referências no seu processo criativo?
Na verdade, adoro receber fotografias de referência.
Algumas pessoas acham que imagens de referência limitam a criatividade, mas, para mim, é exatamente o contrário. Elas me ajudam a entender o que inspirou o autor desde o início.
Pode ser a sensação de uma rua, a arquitetura, as cores, as flores ou simplesmente a atmosfera. Esses pequenos detalhes me ajudam a entender o mundo que o autor imaginava enquanto escrevia.
As fotografias de referência simplesmente se tornam parte do processo de pesquisa. São mais uma forma de compreender a história antes de começar a criar algo novo. Quanto melhor eu entendo a visão do autor, mais fácil é criar uma capa que realmente pareça pertencer ao livro dele.
10. Você pode nos contar como funciona o seu processo criativo, desde o primeiro briefing até a capa final?
Claro.
Tudo começa com o briefing. Eu o leio várias vezes porque tento entender muito mais do que apenas o que deve aparecer na capa. Procuro a atmosfera, as emoções e a personalidade da história.
Se tenho acesso a trechos do manuscrito, também os leio. Isso me ajuda a entender muito melhor o estilo do autor e os personagens. Quando sinto que compreendi a história, começo a reunir ideias e a pensar na composição.
Depois começo a fazer os esboços no meu iPad. Normalmente faço primeiro versões bem simples, porque é muito mais fácil explorar ideias diferentes antes de passar horas trabalhando na ilustração final.
Depois de escolher o conceito mais forte, continuo desenvolvendo a ilustração, acrescentando cores, luz e todos aqueles pequenos detalhes que ajudam a dar vida à história.
Ao mesmo tempo, também penso na tipografia, porque não vejo a ilustração e o título como duas coisas separadas. Eles fazem parte do mesmo design.
Durante todo o processo, continuo em contato com o autor. Conversamos sobre as ideias, fazemos as alterações necessárias e refinamos tudo juntos. Só quando cada elemento parece equilibrado é que preparo os arquivos finais para impressão e para as plataformas digitais.
É um processo formado por muitos pequenos passos, mas adoro cada um deles, porque é incrível ver uma ideia se transformar aos poucos em algo real.

11. Houve alguma coisa neste projeto que te surpreendeu ou representou um novo desafio?
Acho que o que tornou este projeto diferente foi o fato de eu não ter trabalhado apenas na ilustração da capa.
Também tive a oportunidade de criar a capa completa, incluindo a tipografia e o layout geral.
Gostei muito de pensar em como a tipografia poderia fazer parte da própria ilustração em vez de simplesmente ser colocada por cima dela.
12. Transformar emoções em elementos visuais parece quase mágica. Como você faz isso na prática?
Acho que tudo começa ouvindo. Antes de pensar em cores, composição ou tipografia, dedico um tempo a tentar entender como o autor se sente em relação à própria história. Às vezes isso acontece através das nossas conversas, às vezes através de moodboards ou referências no Pinterest, e outras vezes simplesmente pela forma como ele descreve os personagens e o mundo que criou.
Quando compreendo a parte emocional da história, começo a traduzir essas sensações em escolhas visuais. Cores quentes podem criar uma sensação de conforto, uma luz delicada pode deixar uma cena mais romântica e determinados detalhes arquitetônicos ou algumas flores podem transportar imediatamente o leitor para um lugar específico. Cada decisão, por menor que seja, ajuda a construir a atmosfera geral.
A tipografia também faz parte desse processo. Uma fonte tem personalidade própria, assim como uma ilustração, e juntas elas criam a primeira impressão do livro.
No fim das contas, ilustrar não significa apenas desenhar algo bonito. Significa fazer as pessoas sentirem alguma coisa. Se os leitores conseguem olhar para uma capa e já imaginar a atmosfera da história antes mesmo de abrir o livro, então sei que consegui exatamente o que queria.
13. Na sua opinião, o que diferencia uma capa bonita de uma capa realmente eficaz?
Acho que uma capa bonita chama a atenção, mas uma capa eficaz faz você querer abrir o livro. Existe uma grande diferença entre as duas coisas.
Claro que a ilustração precisa ser visualmente atraente, mas isso é apenas uma parte da equação. Uma capa eficaz faz os leitores sentirem alguma coisa antes mesmo de conhecerem a trama. Ela desperta curiosidade, cria expectativas e oferece uma pequena amostra do mundo em que estão prestes a entrar. Mesmo que alguém não consiga explicar exatamente por que se sentiu atraído por determinada capa, instintivamente sabe que ela está falando com ele.
Minha experiência com branding definitivamente influenciou a forma como penso em capas. Costumo dizer que a capa é a marca de um livro. É o primeiro encontro do leitor com a história e, em poucos segundos, precisa comunicar personalidade, gênero e emoção.
Por isso presto tanta atenção não apenas à ilustração, mas também à tipografia, à paleta de cores, à composição e ao equilíbrio. Quando todos esses elementos funcionam juntos, a capa deixa de ser apenas bonita. Ela começa a contar a história antes mesmo de a primeira página ser virada.
14. A tipografia tem um papel muito importante no seu trabalho. Como você decide qual estilo combina com uma determinada história?
Sinceramente, a tipografia é uma das minhas partes favoritas do processo de design. Acho que as pessoas muitas vezes subestimam o quanto uma fonte consegue transmitir emoção.
Antes de escolher qualquer coisa, passo um tempo pensando na personalidade da história. Ela é elegante? Leve? Romântica? Contemporânea? Cada fonte tem a sua própria voz, assim como cada ilustração, então quero que uma complemente a outra em vez de competir pela atenção.
Com Loveandpizza.it, eu queria que a tipografia transmitisse acolhimento, feminilidade e uma sensação convidativa. Lembro de experimentar várias opções antes de encontrar aquela que parecia perfeita. Quando encontrei o lettering de Postcards from Napoli, soube imediatamente que ele pertencia à capa. Tinha personalidade, movimento e uma sensação artesanal que combinava com a atmosfera que eu estava tentando criar.
Para mim, a tipografia nunca deveria parecer algo simplesmente colocado por cima de uma ilustração. Ela deveria parecer parte da obra desde o início, ajudando a contar a história de uma maneira sutil, mas significativa.
15. Suas ilustrações têm um estilo muito reconhecível. Como você o descreveria e onde encontra inspiração?
Essa é sempre uma pergunta difícil, porque não acho que tenha decidido conscientemente ter um estilo específico. Ele simplesmente foi surgindo naturalmente ao longo dos anos, através dos projetos em que trabalhei e das coisas de que gosto pessoalmente.
As pessoas costumam descrever o meu trabalho como feminino, fantasioso, romântico e elegante, e acho que essas palavras combinam bastante. Tenho uma atração natural por paletas de cores delicadas, flores, arquitetura charmosa e aqueles pequenos detalhes bonitos que criam uma sensação de acolhimento e nostalgia.
Também encontro inspiração constantemente nos lugares que amo. Paris sempre foi a minha cidade favorita, mas também amo Londres, Nova York e, claro, a Itália. Gosto de caminhar por ruas bonitas, visitar cafés, olhar vitrines e reparar nos pequenos detalhes que tornam cada lugar único. Acho que essas experiências acabam entrando silenciosamente nas minhas ilustrações, mesmo quando não estou usando nenhuma delas de propósito como referência.
Ao mesmo tempo, nunca quero que o meu estilo se torne repetitivo. Cada história merece uma personalidade própria, então sempre tento me adaptar sem perder aquilo que faz o meu trabalho ser reconhecível.
16. Suas capas podem aparecer em formatos diferentes e até em outros idiomas. Isso influencia a forma como você as cria?
Com certeza. É algo em que penso desde o começo de cada projeto.
Hoje uma capa precisa funcionar em muitos contextos diferentes. Pode ser impressa em brochura, capa dura ou numa edição especial. Também precisa funcionar como uma miniatura minúscula na Amazon, no Goodreads ou nas redes sociais, onde muitas vezes os leitores descobrem um livro pela primeira vez.
Idiomas diferentes também podem alterar bastante o design. Alguns títulos ficam muito maiores quando traduzidos, enquanto outros ficam menores, então a tipografia e o layout precisam ter flexibilidade suficiente para se adaptar sem perder o equilíbrio geral da capa.
Meu objetivo é sempre criar um design que permaneça coerente onde quer que apareça. Seja alguém segurando o livro nas mãos numa livraria ou encontrando-o enquanto passa pelo feed, quero que ele tenha o mesmo impacto visual e transmita as mesmas emoções.
17. O que você mais gosta na colaboração com os autores?
Sem dúvida, descobrir como eles enxergam as próprias histórias.
Cada autor tem um processo criativo completamente diferente. Alguns chegam com descrições detalhadas de cada personagem e de cada cena, enquanto outros simplesmente descrevem a sensação que querem transmitir aos leitores. Sinceramente, gosto das duas abordagens, porque cada conversa me ensina alguma coisa nova.
Escrever um livro é uma jornada muito pessoal e sei o quanto os autores estão emocionalmente ligados às próprias histórias. Por isso sempre tento ouvir com atenção antes de começar a sugerir ideias. Faço perguntas, conversamos sobre possibilidades e me certifico de entender de verdade o que eles estão imaginando.
Não vejo o meu papel como o de substituir a visão do autor. Meu trabalho é traduzi-la em algo que os leitores possam ver e sentir. Essa provavelmente é a minha parte favorita de todo o processo.
Acho que as capas mais bem-sucedidas surgem da colaboração. Quando as duas pessoas confiam uma na outra e trabalham em direção ao mesmo objetivo, o resultado final sempre fica melhor do que qualquer uma delas teria criado sozinha.
18. Quando você pensa em Loveandpizza.it, o que acha que vai lembrar mais deste projeto?
Acho que vou lembrar do quanto ficava feliz toda vez que abria o arquivo.
Trabalhar nesta capa me transportava de volta para a Itália e, como meu marido e eu passamos nossa lua de mel lá, isso trazia de volta muitas lembranças maravilhosas. Era quase como fazer uma pequena viagem toda vez que eu sentava para ilustrar.
Também vou lembrar do entusiasmo da Daniela durante todo o projeto. Ela se importava profundamente com a história e tinha uma visão muito clara, mas também confiou em mim o suficiente para me deixar interpretá-la com o meu próprio estilo. Para uma ilustradora, esse tipo de confiança significa muito, porque abre espaço para a criatividade sem deixar de parecer uma verdadeira colaboração.
Quando finalmente olhei para a capa pronta, tive um pensamento muito simples: se eu visse este livro numa livraria, com certeza pegaria para olhar.
Para mim, esse provavelmente é o melhor elogio que posso fazer ao meu próprio trabalho. Se ele me faz querer parar, olhar e descobrir o que tem dentro, então espero que os leitores sintam exatamente a mesma coisa.
19. Que conselho você daria a autores independentes que estão procurando o ilustrador ou designer de capa certo?
Acho que o primeiro conselho seria: não tenha pressa.
A capa é um dos investimentos mais importantes que você vai fazer no seu livro, porque muitas vezes é a primeira coisa que os leitores veem. Uma ótima capa não garante sucesso, mas pode definitivamente incentivar alguém a pegar o livro ou clicar nele online.
Uma boa parceria é tão importante quanto um bom design. Também recomendo olhar com atenção o portfólio da pessoa para entender se ela produz trabalhos consistentes e bem executados.
E, por fim, confie no processo. Se você escolheu alguém porque ama o trabalho dessa pessoa, dê espaço para que ela traga a própria criatividade para o projeto. As melhores ideias muitas vezes surgem da colaboração, e não da tentativa de controlar cada pequeno detalhe.
20. Se você pudesse ilustrar qualquer tipo de livro no futuro ou colaborar com qualquer autor, qual seria o projeto dos seus sonhos?
Essa é uma pergunta muito difícil, porque existem tantas histórias que eu adoraria ilustrar.
Sempre fui atraída por histórias românticas ambientadas em lugares lindos, principalmente aquelas que acontecem em cidades como Paris, Londres ou Nova York. Amo histórias com personagens femininas fortes, cafés encantadores, flores, moda e arquitetura, porque são todas coisas que naturalmente me inspiram.
Mais do que trabalhar com um autor específico, acho que o meu sonho é simplesmente continuar colaborando com pessoas apaixonadas pelas próprias histórias. São sempre esses projetos que acabam sendo os mais gratificantes.
21. Se um autor estiver lendo esta entrevista e quiser trabalhar com você, o que ele deveria saber antes de entrar em contato?
A primeira coisa que eu diria é: não se preocupe em ter tudo resolvido antes de falar comigo.
Muitos autores acham que precisam saber exatamente o que querem antes de me escrever, mas não é assim. Alguns clientes chegam com briefings extremamente detalhados, enquanto outros simplesmente me contam a história e pedem orientação. Os dois jeitos funcionam perfeitamente.
Na verdade, gosto de ajudar as pessoas a organizar as ideias e descobrir qual pode ser a melhor direção para o projeto. O processo de design é algo que construímos juntos, então você não precisa ter todas as respostas desde o início.
O mais importante é simplesmente me contar a sua história. A partir daí, podemos conversar sobre a sua visão, os seus leitores e a atmosfera que você quer criar.
Toda colaboração começa com uma conversa, e acho que esse é o melhor ponto de partida para qualquer projeto criativo.
22. Existe algum detalhe específico da capa de Loveandpizza.it de que você sente um orgulho especial?
Acho que é a forma como todos os elementos conseguiram se unir numa única composição completa.
Às vezes, quando trabalho com editoras, pedem que eu crie apenas a ilustração, mas neste projeto também tive a oportunidade de criar a tipografia e todo o layout da capa. Isso tornou o projeto especialmente gratificante, porque pude pensar em cada elemento visual do início ao fim.
Também adoro a expressão de Carolina. Eu queria que ela parecesse acolhedora, acessível e curiosa, quase como se estivesse convidando os leitores a acompanhá-la nesta jornada.
As cores pastel delicadas, a paisagem italiana e a tipografia trabalham juntas para criar a atmosfera que eu imaginava desde o começo.
Quando olho para a capa pronta, já não enxergo os elementos separadamente. Vejo simplesmente a história, e acho que esse provavelmente é o melhor resultado que um designer pode esperar alcançar.

23. O que você espera que os leitores se lembrem depois de ver o seu trabalho nesta capa?
Mais do que qualquer outra coisa, espero que se lembrem de como ela os fez sentir.
A ilustração é emocional. Muito depois de esquecerem os pequenos detalhes, as pessoas normalmente se lembram da sensação que alguma coisa despertou nelas.
Se esta capa fizer alguém sorrir, sonhar com uma viagem à Itália ou ter vontade de começar a ler, então consegui exatamente o que esperava.
E, depois que terminarem o livro, espero que a capa fique ligada a essas lembranças. Adoro quando os leitores dizem que não conseguem mais imaginar uma história sem a sua capa. Isso significa que as imagens e as palavras se tornaram parte da mesma experiência.
Para mim, essa é a parte mais gratificante de criar capas de livros.
24. Onde leitores e autores podem encontrar mais do seu trabalho?
Leitores e autores podem conhecer mais do meu trabalho no meu site, www.crissrosu.com, onde compartilho meu portfólio e informações sobre os meus serviços de ilustração e design.
Também sou bastante ativa no Instagram, @criss_rosu, onde compartilho momentos dos bastidores, trabalhos em andamento, capas finalizadas e outros projetos criativos. Gosto de mostrar um pouco do processo porque acho interessante ver como uma ideia vai se transformando aos poucos em uma ilustração completa.
Se alguém estiver pensando em criar uma capa ou simplesmente quiser vir dizer oi, vou adorar receber a mensagem.
A fatia criativa de Criss (Perguntas rápidas)
Tradicional ou digital?
Com certeza digital. Faço praticamente todos os meus desenhos no iPad e adoro a flexibilidade do processo. Consigo experimentar livremente e, ao mesmo tempo, manter aquela sensação de desenho feito à mão de que gosto.
O que você mais gosta de ilustrar?
Personagens, sem dúvida. Amo dar vida à personalidade deles e fazer com que os leitores sintam uma conexão com alguém antes mesmo de começarem a ler.
Fonte serifada ou script?
Provavelmente script. Adoro lettering elegante com aquela sensação artesanal, embora seja sempre a história que decide o que funciona melhor.
Sua cidade favorita para buscar inspiração?
Paris. Ela me inspira há anos, e nunca me canso dos cafés, da arquitetura, das floriculturas e das ruazinhas.
Descreva o seu espaço de trabalho ideal.
Muita luz natural, flores frescas, uma mesa convidativa, um bom café e pequenos tesouros trazidos das minhas viagens, principalmente de Paris, Londres e Nova York. Amo estar cercada de coisas bonitas porque elas me inspiram todos os dias.
Qual é a parte mais difícil de ilustrar uma capa?
Entender a sensação por trás da história. Desenhar é apenas uma parte do trabalho. Capturar a emoção é muito mais difícil, mas é também o que torna o trabalho significativo.
Qual é o momento mais gratificante de todo o processo?
Segurar o livro impresso nas mãos pela primeira vez. Ver algo que começou como um simples esboço se transformar num livro de verdade nunca deixa de ser emocionante.
Descreva Loveandpizza.it em três palavras.
Encantador. Alegre. Sonhador.
Abacaxi na pizza?
Sim… e sei que essa resposta é polêmica! Pizza havaiana é, na verdade, uma das minhas favoritas.
Você pode conhecer mais do trabalho de Criss em www.crissrosu.com ou no Instagram, @criss_rosu.
P.S. E aqui está também a própria versão de Criss da revelação da capa, com música… 😍
Ainda quer mais uma fatia?
Siga @loveandpizza_it para acompanhar pedacinhos da história, descobertas sobre Napoli
e corações maravilhosamente complicados. ❤️🍕
